segunda-feira, 23 de maio de 2016

Bateria, Bateristas e Brasilidades (nº3)

Bem-vindos a mais uma matéria. Nesta edição seremos contemplados com a música e o swing de Djavan, um artista que fez de sua voz e de seu violão um passaporte para uma carreira repleta de discos, canções e melodias que se consolidaram e o consagraram como um grande cantor, músico e compositor da música brasileira, cuja obra também influenciaria milhares de músicos.
Após afirmar-se como autor e se destacar pela originalidade com seus três primeiros discos, em “Seduzir” (1981), o alagoano consolida a primeira fase da sua carreira e conquista a formação da sua primeira banda, “Sururu de Capote”.




Essa formação conta com Luiz Avellar (piano), Sizão Machado (baixo), Zé Nogueira (sopros) e com o baterista Téo Lima, dono de um vasto acervo de gravações (mais 5 mil faixas) com artistas dos mais variados gêneros e estilos musicais e de diversos países. Músico de carreira internacionalmente reconhecida, o também alagoano Téo Lima acompanhou artistas como Elis
Regina, Gal Costa, Gilberto Gil, Leny Andrade, Wilson Simonal, Baden Powell, Emílio Santiago entre muitos outros, e Ivan Lins, com quem trabalha até hoje gravando, produzindo e fazendo shows.




Separei alguns grooves de quatro (04) faixas do disco para podermos apreciar um pouco da obra deste grande baterista. Não deixe de ouvir cada faixa sugerida para acompanhar as transcrições e melhor analisar essas gravações. Aproveite a oportunidade para ouvir o disco inteiro. 

Começando por “Pedro Brasil” que marca o início do disco com uma linda introdução orquestrada e em seguida apresenta o swing e bom gosto de Djavan com sua nova banda. O primeiro compasso é uma passagem para o padrão que se estabelecerá com os compassos 2 e 3.




Para anunciar a repetição da parte “A” da música, temos uma frase que a banda executa onde a bateria acompanha dessa forma:




Agora vamos à faixa “Êxtase” da qual temos os quatro (04) primeiros compassos que envolvem o fill da introdução e o groove. Repare que a ideia do groove anterior (em “Pedro Brasil”) foi aproveitada. Porém, trata-se de um andamento diferente (mais rápido), o que transforma consideravelmente a intenção do groove.


 


Bom, se você reparou no toque de Samba Funk dentro do que vimos até agora, então em “Jogral” (parceria entre Djavan e Filó Machado) Téo Lima dá uma aula.
Introdução: 
(Obs: Ride, com acentos na cúpula)




Groove:


Variação:



Antes de finalizar com a próxima, repare no modo como a abertura de chimbal foi trabalhada nesses grooves como forma de dar uma quebrada nas semicolcheias e também trazer mais swing para o som.

No refrão de “Seduzir” (faixa que nomeia o álbum) temos essa levada. Escrevi em tercinas para facilitar a leitura e não trazer confusões, mas isso deve soar com intenção de 12/8. E aqui, mais uma vez, temos um trabalho de abertura de chimbal como elemento decisivo no resultado final.




Espero que tenham gostado deste material e deste assunto. Não deixem de conhecer e acompanhar os outros discos de Djavan e os diversos trabalhos do
baterista Téo Lima. É importante ressaltar que Djavan é um artistas de várias fases, também marcadas por grandes bateristas como Paulo Braga (do qual falamos na primeira matéria) e Carlos Bala, do qual desejo abordar numa futura matéria. Obrigado a todos que tem acompanhado estes estudos, até a próxima.
 
 
-GABRIEL MAROTTI
 
 

Ficha técnica do disco:
Direção de Produção: Renato Corrêa
Produção Executiva: Mayrton Bahia e Djavan
Assistentes de Produção: Monique Gardenberg e Paulo Albuquerque
Orquestrações e Regências: Luiz Avellar
Arranjos de Base: Djavan
Técnicos de Gravação: Guilherme Reis, Serginho e Franklin Garrido
Técnico de Mixagem: Franklin Garrido
Corte: Osmar Furtado
Layout/Capa: Noguchi
Fotos: Fernando Carvalho
Coordenação Gráfica: Tadeu Valério
Produtor Fonográfico: ©1981 EMI-Odeon Fonográfica, Industrial e Eletrônica S.A
Músicos (Banda Sururu de Capote): Violão: Djavan Piano: Luiz Avellar Baixo: Sizão Machado Bateria: Téo Lima Sopros: Zé Nogueira


Fontes:

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