terça-feira, 28 de junho de 2016

Pensando sua Música

 Interpretação

 
No processo de aprendizado musical, podemos encontrar livros, métodos ou vídeos que nos ajudam com os mais diversos aspectos da música. Temos disponíveis tratados sobre harmonia, ritmo e métodos que tratam da técnica específica dos mais variados instrumentos. A maior parte do estudo de uma música se trata em aprender qual notas e quando tocar, mas depois de vencida esta etapa é deixada para o próprio estudante, às vezes, sem referências, a questão de como essa música deve soar. Chamamos este aspecto musical de interpretação.
 
            Quando executamos uma música, tomamos uma série de decisões, mesmo que inconscientes, que trarão à tona o resultado de como esta música soou. Mesmo que tecnicamente correta, uma música pode soar desinteressante devido a uma interpretação fraca ou equivocada.
 
            Nesta matéria trago um exercício que ajudará a tomar decisões conscientes e ter direcionamento para que a execução de uma música atinja o resultado esperado.
 
            Abaixo estão dois vídeos de uma mesma peça, o prelúdio da Suíte para Violoncelo nº 1 de J. S. Bach, executada por Yo-Yo Ma e Mstislav Rostropovich. Como primeira etapa do exercício sugiro que você ouça a música com atenção algumas vezes, para se acostumar com as suas partes.

Yo-Yo Ma:



 

Rostropovich:

 



            Yo-Yo Ma e Rostropovich são considerados grandes mestres em seus instrumentos. Mostraram interpretações da mesma obra musical, com as mesmas notas e usando o mesmo instrumento, sendo assim, evite julgamentos do tipo “A gravação X é melhor que a gravação Y”.
 
            A segunda etapa do exercício será procurar diferenças entre as peças, que chamaremos de contrastes. Em uma folha de papel trace uma linha vertical no meio dela e em cada coluna, coloque algum aspecto de uma das gravações e do outro lado, o seu contraste.
 
            No início podemos usar critérios mais subjetivos, como por exemplo, afirmar que uma das interpretações é mais animada que a outra, ou ainda que uma é mais clara, enquanto a outra é mais escura.
 
            O próximo passo é descobrir e explicar mais objetivamente como foram alcançados estes determinados aspectos. Se afirmamos anteriormente que uma gravação é mais animada, precisamos pensar no que foi feito para que isto acontecesse. Talvez ele tenha deixado a música mais animada porque a executou com uma dinâmica mais forte do que a outra gravação. A interpretação mais clara pode ter sido resultado de uma execução com andamento mais rápido, enquanto a outra, mais escura, possui andamento mais lento.
 
            Podemos executar uma música com uma rítmica mais livre (rubato) ou mais regular. Podemos executar com todas as notas soando por toda a sua duração (legato) ou que todas elas sejam mais curtas, ou “secas” (staccato). Podemos fazer com que as variações nas dinâmicas (forte e piano) sejam mais ou menos intensas, ou ainda com que estas variações sejam graduais ou repentinas.
 
            Depois de identificados diversos aspectos e seus contrastes nas gravações e de pensarmos em como os músicos fizeram para alcançar estas características, chegamos na terceira e última etapa do exercício, que é aplicar estes contrastes em sua música e nos seus estudos.
 
            O material no qual vai aplicar pode ser, de início, algum exercício que você trabalha frequentemente como alguma escala ou sequência de arpejos. Além de tocar as notas certas, insira elementos retirados da sua pesquisa nas gravações, como as dinâmicas e a duração das notas, pense em quais momentos estes aspectos serão aplicados e em quais eles serão contrastados. Depois dos exercícios, aplique em músicas completas, fazendo contraste entre as diferentes partes delas. Isso fará com que suas interpretações sejam mais conscientes e diferentes das outras que já existem, também possibilitará que você identifique porque gosta mais de determinada intepretação que de outra, podendo aplicar esses aspectos percebidos em sua própria música ou ainda, porque não gosta de alguma interpretação, podendo evitar tais elementos na sua interpretação.
 
- FELIPE MATULA
 
 
 

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