terça-feira, 5 de julho de 2016

Bateria, Bateristas e Brasilidades (nº4)


Olá pessoal... Chegamos à 4ª edição de matérias sobre bateria e música brasileira onde busco trazer uma breve análise de alguns importantes discos da nossa música, destacando nossos incríveis bateristas, e é claro, gerando um material legal para você estudar através de transcrições, discografia e etc.

Aproveito o álbum escolhido este mês para homenagear um dos lugares culturalmente mais belos e ricos do nosso país: a Bahia, já que vamos falar de “Rosa Passos Canta Caymmi” (Lumiar Discos, 2000). A cantora, compositora e violonista Rosa Passos é, sem dúvidas, uma das maiores divulgadoras da música brasileira dos últimos anos no Brasil e exterior. Tento conquistado plateias na Europa, Ásia e Estados Unidos, a baiana já gravou discos em parceria com Ron Carter, apresentou uma série de shows em casas como “Blue Note” (em New York) e realizou oficinas de música na conceituada “Berklee College Of Music” em Boston, onde foi homenageada. No Brasil, a cantora se apresenta frequentemente em diversos festivais para o grande público, sempre acompanhada de grandes músicos e belos arranjos que destacam ainda mais a grandeza desta artista que pulsa música brasileira.

 
 

Enriquecendo as camadas rítmicas deste trabalho, temos na bateria Erivelton Silva. Filho de baterista, o brasiliense mudou-se para o Rio de Janeiro em 2000 devido as oportunidades de trabalhos, iniciando uma nova fase em sua carreira musical. Requisitado para shows e gravações passou a trabalhar com artistas como João Bosco, Chico Buarque, João Donato, Ivan Lins, Ed Motta, Milton Nascimento entre outros. Além disso, por suas peculiaridades como baterista, sobretudo tocando samba, o músico também tem realizado workshops em diversas universidades nos EUA.

 
 
 
Agora, vamos mergulhar no trabalho que Erivelton Silva realizou neste disco através de algumas transcrições, comentários, e claro, a escuta (parte mais importante).

Começaremos por “Vatapá”, sexta faixa do disco e ponto onde busquei trazer maiores detalhes. Abaixo temos a introdução, com essa levada de Samba-Funk, onde o baterista exibe seu swing e domínio do instrumento.

 
Agora, temos o mesmo trecho, mas com o detalhe das cúpulas que dispensei acima para uma primeira leitura. Lembrando que, afim de tornar a leitura mais limpa, também não foram inseridas algumas ghost notes. 

 
 
 Num trecho um pouco mais à frente, encontramos uma variação na condução, cheia de malícia e que dá um efeito bastante curioso e interessante na música. Veja:
 

 
 Repare na parte destacada acima. Se você tocar somente ela (isoladamente), terá este groove:


 
 Ou seja, com esse tipo de ideia (deslocamento), você cria ilusões rítmicas capazes de quebrar o padrão de condução do qual vinha utilizando e de trazer a atenção do ouvinte (ou dos outros músicos) de volta. Claro que isso exige uma boa dose de bom senso, bom gosto e experiência, como podemos ver e ouvir neste caso com Erivelton Silva.

 Seguindo com “Você Já Foi à Bahia?”, faixa que abre o disco, temos um trecho onde a bateria faz uma condução um pouco diferente, voltado para o “Latin”. Entre as variações desse trecho, destaquei um para padronizarmos e possibilitar melhor entendimento desta levada.
Obs: Mão direita na cúpula do ride e mão esquerda no chimbal (para destros)


 
Podemos aproveitar uma segunda possibilidade de tocar esta levada para praticá-las como exercícios de coordenação ou até independência (se quiser inverter a mão da condução)

 

 
E vamos fechar com “Samba da Minha Terra” com esse groove que caiu muito bem onde foi empregado.


 
 Vale lembrar, que além de Erivelton Silva, a cantora Rosa Passos tem sempre em seus palcos ou discos, o trabalho de outros grandes bateristas como Celso de Almeida, Edu Ribeiro, Rafael Barata entre outros.

Espero ter contribuído em algo com este material e que estejam gostando dessa série de matérias. Fiquem à vontade para enviar críticas, sugestões e perguntas. Muito obrigado e muita música à todos.
-GABRIEL MAROTTI
 
Fontes:

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